terça-feira, 27 de outubro de 2009

Guinness World Records


O Maior Assador de Castanhas

O Guinness World Records para o maior assador de castanhas foi aprovado no 1 de Novembro passado en Vinhais (Portugal).

O Assador de Castanhas é um utensílio em ferro que durante séculos serviu para assar um fruto que, no tempo frio, estava na base alimentar das populações e era também utilizado para alimentar o porco (animal que também esteve e está na base alimentar dos transmontanos). Associada a tradição popular dos antigos assadores a uma forma de promoção deste produto de tanta qualidade, no município de Vinhais surgiu a ideia de construir um assador gigante e recriar o tradicional "magusto" das noites frias de Outono e Inverno.

Con umas medidas de 9,5 metros de comprido, inclusive o cabo, 5 metros de diâmetro, e um peso de 600 Kgs, o assador tenhe a capacidade de assar 1,000 Kgs de castanhas ao mesmo tempo. Sem dúvida, o maior assador de castanhas do mundo.

O assador foi construido num modo absolutamente artesanal seguendo os modos e modelos traidionais.

Na RuralCastanea - Festa da Castanha anual de Vinhais, durante quatro dias, milhares de pessoas visitaram Vinhais para verem o Assador Gigante, provar a castanha de Vinhais, e celebrar Magustos, onde os amigos e famílias juntaram-se à volta do maior assador de castanhas do mundo para comer, beber-se a jeropiga, a bebida tradcional que acompanha as castanhas, fizeram-se brincadeiras , as pessoas enfarruscaram-se com as cinzas, cantaram-se cantigas e comprar vários produtos regionais no Mercado das Colheitas de Outono. Esta festa foi um grande impulso para a economia local e que começa a colocar a castanha de Vinhais na mira dos paladares exigentes.

Um terço da castanha produzida em Portugal é da região de Trás-os-Montes e constitui uma das principais fontes de rendimento dos agricultores, daí se ter criado a CACOVIN, uma pequena fábrica que recolhe toda a castanha produzida no Concelho de Vinhais e a escoa, não só para Portugal, mas, também, para várias partes do mundo.

Com este Guinness World Record Vinhais conseguiu projectar o seu nome, enquanto grande produtor de castanha de elevada qualidade, para todo o país, tendo, inclusivamente, sido convidada pela Capital de Portugal - Lisboa, para levar o Maior Assador de Castanhas do Mundo para a maior praça do país, o Terreiro do Paço, bem no centro da capital, no dia 11 de Novembro, dia de São Martinho, o dia dos magustos.

Durante toda a tarde milhares de visitantes puderam ver e fotografar o Maior Assador de Castanhas do Mundo e provar a boa castanha de Vinhais assada.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

PARA RECORDAR...


Arquivo: Edição de 28-02-2006

Secção: Nordeste Rural

Habitantes de sete aldeias das freguesias de Quirás e Vilar Seco de Lomba reúnem-se em festa
foto
Aldeias de Lomba em festa

O javali é o prato principal na festa-convívio realizada, anualmente, entre as sete aldeias das freguesias de Vilar Seco de Lomba e Quirás, no concelho de Vinhais.

Durante a tarde do passado sábado, a população da aldeia de Vilarinho de Lomba acolheu esta iniciativa, para confraternizar com as pessoas das aldeias vizinhas.
O javali estufado e a feijoada de javali foram os pratos principais, numa festa destinada às populações locais e aos caçadores que costumam participar nas montarias promovidas pela Associação de Caçadores das Freguesias de Vilar Seco de Lomba e Quirás (ACFVSLQ).
Neste dia, que reuniu cerca de 400 pessoas, encontravam-se pessoas que tinham percorrido centenas de quilómetros para se juntarem à festa, onde a comida em abundância aqueceu o estômago num dia marcado pela neve que caiu um pouco por toda a região transmontana.

12 javalis no pote

Cerca de 12 javalis, mortos em montarias realizadas no ano anterior, foram cozinhados à moda antiga por pessoas da terra, que sabem de cor os segredos para confeccionar estes pratos que marcam a tradição gastronómica da Zona de Lomba.
Segundo o presidente da Junta de freguesia de Vilar Seco e da ACFVSLQ, António Gestosa, para além do convívio entre as pessoas, esta é uma festa onde as populações podem saborear o javali, já que ninguém lhes paga os estragos nas colheitas feitos por estes animais selvagens.
Este é o sexto ano que a associação de caça realiza este encontro de confraternização, que, por tradição, se realiza cada ano em sua aldeia.
No passado sábado, a festa coincidiu com uma montaria nas proximidades destas duas freguesias, onde, cerca de 20 caçadores, conseguiram abater quatro javalis.
A população recebe este convívio com muito agrado, visto que reencontram pessoas que só regressam à aldeia em determinadas épocas do ano.

Gastronomia regional

Maria Helena, habitante de Vilarinho de Lomba, foi uma das cozinheiras para a festa deste ano e confessa que o segredo está nos temperos e na forma de cozinhar.
Os potes de ferro ao lume fazem parte do cenário encontrado na casa desta popular que ficou responsável pela confecção da feijoada de javali e pelos doces regionais, que acompanham as ementas tradicionais.
Este ano, foi a primeira vez que a festa das aldeias decorreu durante o Inverno, o que, segundo António Gestosa, é favorável para a confecção das carnes.
Durante o convívio os temas de conversa variam entre os populares, que aproveitam esta confraternização para saudarem os amigos que vêem, apenas, nalgumas datas simbólicas.
Para o ano, a festa das freguesias de Vilar Seco de Lomba e de Quirás ainda não tem data marcada, mas espera-se um a adesão ainda maior, dado que a neve que caiu no Nordeste Transmontano durante o passado fim-de-semana impossibilitou a vinda de algumas pessoas.

Por: Teresa Batista

domingo, 12 de abril de 2009

PARQUE BIOLÓGICO DE VINHAIS

Descrição do Parque Biológico de Vinhais




O Parque Biológico de Vinhais é um equipamento público instalado pela Câmara Municipal de Vinhais.
Pretendemos com este projecto transformar uma região de passagem numa região de estadia, um destino de férias e de fim-de-semana, apelando aos valores naturais que permitem um crescimento sustentado. É um equipamento que pretende preservar, divulgar e interpretar a paisagem típica da região.

O local escolhido foi o viveiro de Prada, incluído no Perímetro Florestal da Serra da Coroa a escassos 3 km do centro de Vinhais em pleno Parque Natural de Montesinho.

O Parque Biológico de Vinhais tem quatro valências fundamentais: a interpretação da paisagem da região nas suas componentes naturais (flora, fauna, geologia, etc.) e culturais (história, arqueologia, etnografia); Educação Ambiental, conservação da natureza e biodiversidade, desenvolvimento do turismo; em especial do ecoturismo do recreio e lazer da população.

A estratégia passa pela realização de uma exposição permanente de forma que o visitante tenha a possibilidade de fazer uma primeira interpretação da região, de percursos à descoberta da natureza, pela colocação de painéis informativos ao longo de todo o percurso pedestre, pela elaboração de programas de educação ambiental a fim de obter uma sensibilização da população, em especial do público escolar que os leve a participar activamente na resolução de problemas ambientais.

O Parque Biológico de Vinhais é dotado dos seguintes equipamentos: Centro de Acolhimento dos visitantes e recepção; Bar; Parque de Merendas; Parque de Campismo Rural; Clínica Veterinária; Colecção de Animais e Jardim Botânico.

O Centro de Acolhimento é a instalação nuclear do Parque Biológico de Vinhais e serve de recepção, centro de interpretação, loja e administração.
No centro de acolhimento será instalada uma exposição permanente e em perfeita harmonia com a natureza envolvente existe um pequeno bar que acolhe o visitante com simpatia. Este dispõe de refeições rápidas ou apenas para um breve descanso. Localiza-se um pequeno espaço de acesso livre para o público em geral.

Mesmo que não queira entrar no Parque Biológico de Vinhais, pode desfrutar de um ambiente propício para com os amigos ou família comer uma saborosa merenda à sombra dos pinheiros que preenchem o Parque de Merendas. Os aventureiros têm agora em Vinhais um Parque de Campismo Rural perfeitamente equipado para receber campistas nas zonas de tendas e caravanas ou para os mais exigentes os 4 Bungalows onde se conjuga o conforto de uma casa com os sons e cheiros da natureza. Cada bungalow possui 2 quartos e cada quarto tem duas camas individuais. Estão equipados com cozinha, casa de banho, hall de entrada/sala de estar (mesa, cadeiras, sofá, frigorífico). Disponibilizamos roupa de quarto, banho e equipamento de cozinha.

Da recuperação do antigo forno da casa do guarda resultou a Clínica Veterinária, equipada com uma sala de tratamentos que permitirá dar resposta às necessidades médicas da colecção de animais do parque. Com a mesma função de outros tempos, após obras de recuperação este espaço acolhe também as salas de preparação e armazenamento de alimentos dos animais, balneários de serviço e armazém. Para prossecução dos objectivos de educação ambiental e interpretação da natureza, o parque tem uma colecção de animais em cativeiro, exclusivamente da fauna da região, selvagens e domésticos. As colecções de animais existentes dispõem de espaço adequado à sua segurança garantindo o seu bem-estar.

A colecção do parque integra, entre outras, as seguintes instalações e espécies:
- Mamíferos selvagens: corços, veados e javalis
- Mamíferos domésticos: porco bísaro, boi mirandês, burro mirandês, cordeiro (Churra Galega Bragançana)
- Aves de rapina diurnas e nocturnas irrecuperáveis, aves aquáticas em semi liberdade, perdizes (2 espécies), pombo torcaz, rola brava, etc
- Outras aves em estado de não cativeiro
- Outros mamíferos em estado selvagem

Tendo a área um carácter geológico particular e complexo, o maciço ultrabásico, apresenta também uma flora e uma vegetação muito característica onde aparecem alguns endemismos. Numa área de 2000m2 está a ser instalada uma variedade de plantas da região devidamente identificadas.

A partir do núcleo base do Parque Biológico de Vinhais são propostos percursos até 3 núcleos complementares: o Alto da Ciradelha, a Charca da Vidoeira e a Barragem de Prada. No Alto da Ciradelha foi colocado um observatório em madeira com suporte de informação e para melhorar o conforto dos visitantes, num local com ventos constantes. Houve o cuidado de assentar este abrigo num afloramento rochoso de forma a preservar os vestígios arqueológicos. Aqui devem ser iniciadas as visitas descobrindo a paisagem e a pré-história local tendo como inspiração o castro existente. A Charca da Vidoeira é um lago artificial que foi construído para servir de reservatório de água de rega do viveiro florestal e para abastecimento dos bombeiros em caso de incêndio florestal. Além da renaturalização das margens, foi instalado um abrigo/observatório de modo a poderem ser feitas observações de fauna especialmente durante a noite, pelo que tem condições elementares de pernoita para pequenos grupos (cadeiras de descanso). Na Barragem de Prada foi criada uma zona de observação de aves aquáticas típicas de lagoas de altitude, de presença e abeberagem de outros animais. Junto ao estradão foi colocado um abrigo-observatório, com informação e na albufeira serão criadas algumas ilhas artificiais, flutuantes para abrigo e nidificação de aves. Para um merecido descanso desta viagem à Natureza sugerimos a Hospedaria do Parque, um novíssimo equipamento instalado num bem enquadrado e antigo solar setecentista que se encontra a 2Km do parque na aldeia de Rio de Fornos. Tem a capacidade para 54 pessoas.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

VINHAIS CAPITAL DO FUMEIRO


CHOURIÇA DE CARNE DE VINHAIS


Enchido fumado, de formato cilíndrico, em forma de ferradura com 30 a 35 cm de comprimento, de cor castanha clara, e é feito com carne e gordura de porco, da raça Bísara ou produto de cruzamento desta raça. A carne e a gordura utilizadas é devidamente condimentada com sal, vinho tinto ou branco da região, água, alho, colorau doce e/ou picante e louro. Para o enchimento é utilizada tripa delgada de porco ou de vaca. Este enchido tem um sabor agradável, sui generis e aroma fumado.
A carne de porco, consumida em fresco ou conservada em enchidos, é desde sempre a um elemento fundamental na dieta alimentar das populações da Terra Fria Transmontana, havendo registos da produção da Chouriça de Carne ou Linguiça, como é conhecida na região, desde o século XVIII.
O uso da Indicação Geográfica obriga a que a Chouriça de Carne de Vinhais seja obtida de acordo com as regras constantes do Caderno de Especificações, o qual inclui designadamente as condições de criação do porco da Raça Bísara em regime semi-extensivo, as suas condições de abate e desmancha, bem como as regras de transformação, marcação e acondicionamento.

Apresentação
A Chouriça de Carne de Vinhais deve apresentar-se inteiro, em porções ou fatiado, casos em que terá de ser pré-embalado na origem. A rotulagem, para além de cumprir a legislação em vigor deve mencionar, obrigatoriamente, a Indicação Geográfica. Deve ainda ostentar a Marca de Certificação, aposta pela respectiva entidade certificadora.

Área geográfica
A área geográfica de transformação está circunscrita aos Concelhos de Alfândega da Fé, Bragança, Carrazeda de Ansiães, Macedo de Cavaleiros, Mirandela, Torre de Moncorvo, Vila Flôr e Vinhais.

História
Citado por Belarmino Afonso, em conjunto com os otros enchidos de Vinhais, e por Veloso Martins. Os cuidados com a confecção destes enchidos começam com o tipo de alimentação dada ao porco pois ela tornou-se quase uma arte para as gentes desta região transmontana, onde anualmente se realiza uma feira de fumeiro muito concorrida.

fonte :sabores.sapo.pt

VINHAIS CAPITAL DO FUMEIRO


Salpicão de Vinhais - Indicação Geográfica Protegida




Enchido fumado, de formato cilíndrico, com 15 a 20 cm de comprimento, de cor castanha clara, e é feito com carne do lombo e lombinho de porco, da raça Bísara ou produto de cruzamento desta raça. A carne utilizada é devidamente condimentada com sal, vinho tinto ou branco da região, água, alho, colorau doce e/ou picante e louro. Para o enchimento é utilizada tripa grossa de porco com formato recto. Este enchido tem um sabor agradável, sui generis e aroma fumado.
A carne de porco, consumida em fresco ou conservada em enchidos, é desde sempre a um elemento fundamental na dieta alimentar das populações da Terra Fria Transmontana, havendo registos da produção do Salpicão desde o século XVIII. O uso da Indicação Geográfica obriga a que o Salpicão de Vinhais seja obtido de acordo com as regras constantes do Caderno de Especificações, o qual inclui designadamente as condições de criação do porco da Raça Bísara em regime semi-extensivo, as suas condições de abate e desmancha, bem como as regras de transformação, marcação e acondicionamento.

Apresentação
O Salpicão de Vinhais deve apresentar-se inteiro, em porções ou fatiado, casos em que terá de ser pré-embalado na origem. A rotulagem, para além de cumprir a legislação em vigor deve mencionar, obrigatoriamente, a Indicação Geográfica. Deve ainda ostentar a Marca de Certificação, aposta pela respectiva entidade certificadora.

Área geográfica
A área geográfica de transformação está circunscrita aos Concelhos de Alfândega da Fé, Bragança, Carrazeda de Ansiães, Macedo de Cavaleiros, Mirandela, Torre de Moncorvo, Vila Flôr e Vinhais.

História
A matança do porco era uma festa por dela depender a fartura da casa em carne. Para poder ser consumida durante o ano descobriram-se formas de a conservar de forma artesanal – os enchidos – por uma arte ancestral transmitida de geração em geração. O “fumeiro”, assim se designa o conjunto destas iguarias, depende muito do clima frio desta região que obriga à presença da lareira. Numa carta do Padre Martins (1939) ele diz: “... neste mesmo tempo (de Outubro a Fevereiro) pode almoçar... salpicão assado”. Belarmino Afonso, num capítulo intitulado “Pratos de Vinhais” e citando o Padre Martins, faz uma descrição de como “se recebia” em Vinhais, descrevendo várias refeições e, em todas elas, os enchidos de Vinhais estão presentes. O consumo dos enchidos de Vinhais cresce fortemente no Verão, sendo a razão disto o facto de os emigrantes, regfressando a casa para férias, não dispensarem os enchidos nos seus passeios pelos campos, onde o consomem tal e qual ou assado nas brasas. Também Miguel Torga cita o salpicão como fazendo parte da “Trindade Tradicional” do reino de Trás-os-Montes. Veloso Martins escreve “...soberbas iguarias capazes de fazer pecar o mais santo dos santos”.
Desde 1981 que se realiza anualmente a Feira do Fumeiro de Vinhais.

fonte :sabores.sapo.pt

domingo, 4 de janeiro de 2009

Os "INIMIGOS" dos castanheiros

Doença da Tinta

Em Portugal a Doença da Tinta, cujo nome se deve à cor negra que a árvore adquire por baixo da casca quando atacada, é conhecida desde o século XIX e constitui uma das maiores ameaças à cultura do castanheiro, tendo-se verificado em diversas regiões a destruição em massa de extensas áreas de souto.

A doença está associada a dois fungos pertencentes à classe oomicetas, à família Phytophthoraceae e ao género Phylophlhora (Phytophthora cinnamomi (Rands) e Phytophthora cambivora (Petri) Buisman). São semi-parasitas que vivem em forma saprófita na matéria orgânica do solo, ou como parasitas na planta.

A propagação faz-se através da água de rega, da chuva, do transporte de terra e de material vegetativo infectado. Solos com má drenagem, baixo teor de matéria orgânica, pobres em nutrientes e com exposições sudoeste, oeste e sul, se os declives forem superiores a 8-10%, são algumas das condições favoráveis para o desenvolvimento do fungo. As raízes com lesões provocadas por cortes constituem portas de entrada para o fungo.

O fungo afecta o sistema radicular, limitando ou impedindo gradualmente a circulação da seiva. Os sintomas manifestam-se inicialmente na parte superior da copa a partir da extremidade dos ramos onde se observam cloroses e emurchecimento das folhas. A floração é fraca e a frutificação é muito afectada, os frutos caem antes de amadurecerem. Na zona afectada, após remoção da casca, o lenho mostra-se necrótico, constituindo uma mancha de cor violácea escura, em forma de cunha. A partir da base pode observar-se a emissão de rebentos que morrem passados alguns anos, mantendo-se seca toda a copa.

Os meios disponíveis não são ainda capazes de responder, de uma forma eficaz, às necessidades do combate à doença.

As técnicas culturais parecem ser aquelas que de alguma forma contribuam para a limitação da doença. Por exemplo, os povoamentos conduzidos em talhadia aparentam ser menos afectados por esta praga.

Como medidas preventivas recomenda-se:

- melhorar o estado nutricional dos soutos e a estrutura edáfica - a matéria orgânica deverá atingir níveis iguais ou superiores a 2%;
- evitar danos e cortes de raízes;
- utilizar equipamento adequado para evitar compactação excessiva que provoca uma redução do teor de oxigénio no solo;
- plantar em terrenos com boa drenagem para não se induzir a asfixia radicular;
- evitar a utilização de material vegetativo infectado e de origem desconhecida;
- proceder à escovagem e desinfecção prévia dos instrumentos agrícolas.

As medidas repressivas compreendem acções a diversos níveis, incluindo o combate biológico e genético:

- a queima do material vegetativo infectado;
- a eliminação das árvores infectadas, quando o nível de infecção é elevado e a replantação alguns anos após;
- a solarização das partes afectadas;
- a micorrização (associação de determinados fungos do solo e das raízes mais jovens da árvore originando estruturas com grande importância a nível fitopatológico e nutricional);
- a recolha de cogumelos se efectue com uma faca e não por arranque, deixando-se no solo alguns cogumelos não abertos;
- evitar a plantação de híbridos em zonas tradicionais de produção;
- a utilização de microorganismos da espécie Trichoderma;
- a plantação de clones que sejam resistentes à doença criados em viveiro. (O Centro Nacional de Sementes Florestais (CENASEF) desenvolve desde 1998 trabalho nesta área).

Cancro do Castanheiro

O Cancro do Castanheiro é provocado por um fungo designado Endothia parasitica And & And. A espécie Castanea dentata foi praticamente aniquilada por esta praga que, segundo dados de 1987, terá destruído cerca de 3,6 milhões de hectares de castanheiro nos Estados Unidos da América. A doença que está presente na Europa há várias décadas foi detectada pela primeira vez, em Portugal, em 1989, na região de Trás-os-Montes. A zona de Padrela foi a mais afectada, verificando-se que a variedade Judia apresenta maior sensibilidade à doença. No território da TFT o cancro do castanheiro afectou com maior intensidade a zona de Parada.

A principal fonte de propagação da doença é a circulação de lenho sem ritidoma (casca).

Em 1998 foi estabelecido um Plano de Erradicação do Cancro do Castanheiro (Despacho 117/98). Para execução do Plano e durante três anos foram prospectados cerca de 77 000 castanheiros em doze concelhos da DRATM, com incidência nas zonas produtoras de castanha, verificando-se a infecção em cerca de 10% de árvores.

O cancro do castanheiro só é detectado a partir do terceiro ou quarto ano após a plantação, é muito virulento e ataca a parte aérea da árvore de forma rápida e irreversível. Detecta-se pelo desenvolvimento de necroses castanho-avermelhadas no tronco e pela permanência das folhas e ouriços mortos nos ramos secos da árvore para além do período normal, entre outros sintomas de observação minuciosa.

A irradicação da doença baseia-se em técnicas de enxertia e poda, recomendando-se:

- a desinfecção com lixívia dos instrumentos a utilizar;
- o corte dos ramos donde se retiraram garfos para efectuar enxertias;
- a pincelagem de toda a zona de enxertia com um fungicida;
- a raspagem da casca da zona do cancro até ao tecido são;
- o corte dos ramos 20 cm abaixo da zona do cancro e desinfecção com um fungicida;
- a queima das cascas e das pernadas cortadas no próprio local;
- corte das árvores exertadas infectadas 15 a 20 cm acima da superfície do solo e enxertia no ano seguinte sobre a nova rebentação;
- arranque das árvores exertadas e sua destruição (queima) no próprio local.


FONTE:
parque natural de montesinho

VINHAIS


O concelho de Vinhais pertence à região de Trás-os-Montes e insere-se na bacia do rio Douro, sendo atravessado pelos rios Rabaçal, Tuela, Mente e Baceiro.

Com um relevo muito acentuado, vales profundos e encaixados, o concelho apresenta valores altimétricos compreendidos entre os 300m e os 1 273m; situando-se a altitudes mais frequentes entre os 500m e os 900m.
O clima é continental e é extremo.

A vegetação da região é diversificada. Em poucos quilómetros podem observar-se seculares carvalhais, sardoais e soutos que, juntamente com os pinheiros, freixos, vidoeiros e outras espécies autóctones, representam a riqueza de espaços florestais coloridos e frescos.
O concelho reveste-se de grande importância faunística a nível europeu, pela existência de espécies em vias de extinção, como o lobo ibérico, a águia real e a cegonha branca, bem como espécies raras e vulneráveis, como a lontra, a marta, toupeira de água e a víbora cornuda. De referir ainda o corço, o veado, o coelho, a lebre, a perdiz e o javali.

"CASTANHEIRO"


Segundo se supõe,o castanheiro foi importado do Irão no século V aC. Esta árvore propagou-se, por meio de cultura, através de toda Europa, aclimatando-se principalmente nas montanhas siliciosas e em todos os locais onde as suas raízes encontram um solo profundo e bem drenado, pois o solo calcário é funesto para a árvore.
O seu crescimento é primeiro lento, acelerando-se em seguida,e a árvore adquire, por volta dos 50 anos o seu porte definitivo. Se estiver isolado o tronco mantém-se baixo, a copa expande-se e a frutificação tem iníci aos 25 ou 30 anos. Se fizer parte de uma floresta, cresce impetuosamente e dá fruto aos 40 ou 60 anos. As castanhas, que surgem em grupos de duas ou três no interior dos sues ouriços hirsutos, não devem ser confundidos com as castanhas-da-índia: comem-se assadas ou cozidas e têm um grande valor nutritivo. Um castanheiro pode viver muitos anos e em alguns casos atingir 100 anos de existeência. Com o tempo, o tronco torna-se oco. Há alguns anos existia ainda na Sicília, nas encostas do Etna, um castanheiro cujo tronco oco servia de abrigo a um rebanho de ovelhas e que, segundo os camponeses, devia ter 4000 anos.

Os "Mamoteiros" no Mundo


Ao longo dos tempos, os filhos do nossa terra espalharam-se pelos quatro cantos do Mundo, enriquecendo e desenvolvendo outras paragens.
Assim, Vilarinho de Lomba, através da sua história foi fábrica de mão-de-obra para o Mundo.
Contam os antigos que, inicialmente a emigração era efectuada para a Argentina e Brasil.
Eram outros tempos, outras épocas, a vida não era fácil!... radicaram-se nessas terras e nunca mais voltaram!...
Provavelmente, essa não era a sua vontade, mas eram outras as leis da vida!...
Na década de sessenta e setenta, grandes grupos passaram fronteiras, seguiram o seu destino para terras de Espanha, França, Itália e Suiça.
Aí se radicaram à procura de uma vida melhor e ano após ano, aplicaram as suas economias em instituições bancárias, investiram em prédios rústicos e urbanos e na aquisição das suas viaturas.
Estas atitudes sublimes e louváveis foram enriquecendo a nossa terra a o nosso próprio país.
Todos estes emigrantes, com a sua fé, com a sua coragem e muito sacrifício, souberam impor-se e vencer na vida. Souberam dar aos seus filhos aquilo que alguns deles nunca tiveram.
Queremos realçar que, felizmente, muitos dos nossos emigrantes apresentam-se como empresários de sucesso.
Não podemos falar só de emigração.
Dentro do próprio país a migração também se manifestou. A saída das pessoas para a área da grande Lisboa e seus arredores, para a cidade Invicta - Porto, para Braga, Bragança, Aveiro, Alentejo, Algarve, etc, deixou a maior parte das aldeias desertificadas. As pessoas preferiram os meios grandes, os meios citadinos onde havia maior facilidade de emprego. Aí se radicaram e refizeram a sua vida.
Mas quando bate a saudade e quando as férias chegam, a Antiga Aldeia, reveste-se de vida com a chegada dos filhos à Terra Mãe.
Hoje a vida é mais fácil, os tempos são outros!... os meios de comunicação evoluíram muito, as televisões de todo o mundo estão interligadas e as notícias passam na hora; a Internet é uma realidade no mundo. Por isso, apesar das distâncias, conseguimos estar mais perto uns dos outros.

Texto elaborado por
Maria Berta Maldonada Malta

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

VILARINHO DE LOMBA


Afinal o que podemos encontar em Vilarinho?

Situada em pleno Parque Natural de Montesinho, no concelho de Vinhais, as paisagens fazem parte da beleza que podemos encontrar nesta terra. Contudo, podemos encontrar muito mais, um povo que sabe receber, cheio de tradições, que apesar da proximidade geográfica pode ser totalmente desconhecida.

No meu caso posso dizer que apesar de sempre estar perto destas terras, a distância de cerca de 30 Km, estas eram-me totalmente estranhas. Mas desde que por aqui passei volto sempre que posso, pois o carinho e a hospitalidade com que sempre me recebem obrigam-me a um retorno.

Só quem não conhece este povo é que não sabe o que está a perder.


Novembro / 2008
Liliana Domingues
(antropóloga)

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

"AMAVIL"

Associação cultural, desportiva e recreativa dos mamoteiros de Vilarinho de Lomba, constituída em 09/06/2003, tem a sua Sede na Casa do Povo em Vilarinho de Lomba.
Tem como objecto promover, implementar e desenvolver actividades, culturais,desportivas e recreativas.
É uma associação sem fins lucrativos.

A NOSSA TERRA VILARINHO DE LOMBA

Situada no Nordeste Transmontano, pertence à Freguesia de Quirás e Concelho de Vinhais.

Encontra-se integrada na área protegida do Parque Natural de Montesinho e está inserida na área da Reserva de Caça Associativa das Freguesias de Vilar Seco e Quirás de Lomba.

Fica situada num dos pontos mais altos da região, onde se pode deslumbrar uma admirável paisagem, desde as magníficas montanhas con variada vegetação aos meandros do rio Mente e rio Rabaçal, onde correm águas límpidas e cristalinas e onde se pesca a truta, o barbo, a boga e o escalo; o castelo de Souane e a sua lenda, os rebanhos de ovelhas lá ao longe na montanha, o cheirinho da terra quando chove, o "cuco" que canta, o perfume das flores, a pureza dos seus ares, o silêncio que embala, a boa terapia que tudo isto é!!!....

Em virtude do seu ancestral isolamento conserva muito dos usos e costumes de outros tempos.

Apresenta-se como bom exemplo de coexistência pacífica, harmoniosa e integrada entre Homem e Natureza